BRONISLAW BACZKO IMAGINAO SOCIAL PDF

A imaginao social In: Leach, Edmund et Alii. Estas associaes e os problemas que elas traduzem tem feito uma carreira rpida e brilhante, quer nos discursos polticos e ideolgicos, quer-nos das cincias humanas. Qual o partido que no se reclama hoje da imaginao poltica e social de que d provas? A imaginao prpria exaltada, enquanto denunciada a sua ausncia ou a sua mediocridade nos adversrios. Os meios de comunicao de massa contriburam de maneira particular para a inflao destes termos.

Author:Barn Akinoll
Country:Norway
Language:English (Spanish)
Genre:Software
Published (Last):3 January 2004
Pages:299
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Os trs conceitos bsicos: sistema simblico, representao e imaginrio. Baczko assinala que por meio do imaginrio que se podem atingir as aspiraes, os medos e as esperanas de um povo. O imaginrio social expressa-se por ideologias e utopias, e tambm por smbolos, alegorias, rituais e mitos. Tais elementos plasmam vises de mundo e modelam condutas e estilos de vida, em movimentos contnuos ou descontnuos de preservao da ordem vigente ou de introduo de mudanas.

Como indica Baczko: "A imaginao social, alm de fator regulador e estabilizador, tambm a faculdade que permite que os modos de sociabilidade existentes no sejam considerados definitivos e como os nicos possveis, e que possam ser concebidos outros modelos e outras frmulas".

Os meios de comunicao de massa contriburam enormemente para o crescimento dos estudos sobre o imaginrio preciso imaginao para controlar o futuro e se adaptar ao choques do futuro. A Antropologia, a Sociologia, a Psicologia e a histria comearam a reconhecer as funes mltiplas e complexas que competem ao imaginrio na vida coletiva e em especial no exerccio do poder.

Para o exerccio do poder o domnio o imaginrio e do simblico um importante lugar estratgico. S a partir da segunda metade do Sculo XIX que se afirmaram correntes do pensamento que abordam o imaginrio como no cientifico, o sonho e o irreal. Nesse perodo a operao cientifica era vista como desvendamento do real. Nesse perodo h uma gama enorme de pensadores refletindo sobre a realidade capitalista. O poder das imagens na ao dos grupos sociais: exemplo da Guerra, uma revoluo: No sero as imagens exaltantes e magnificentes dos objetivos a atingir e dos frutos da vitria procurada uma condio de possibilidade da prpria ao das foras em presena?

As aes guiadas por essas representaes , no modelam elas os comportamentos, no mobilizam elas as energias, no legitimam elas as violncias? Como que se podem separar, neste tipo de conflitos, os agentes e os seus atos das imagens que aqueles tem de si prprios e dos inimigos, sejam estes inimigos de classe, religio, raa, nacionalidade etc.?

O poder simblico no duplica e refora a dominao efetiva? Os dispositivos de represso que os poderes constitudos pem de p, a fim de preservarem o lugar privilegiado que a si prprios se atribuem no campo simblico, provam, se necessrio fosse o carter decerto imaginrio, mas de modo algum ilusrio dos bens assim protegidos, tais como os emblemas do poder, os monumentos erigidos em suja gloria, o carisma do chefe etc.

Elementos para uma histria Apesar do interesse atual pelo imaginrio nas cincias sociais, h muito que se busca elucidar a cerca dos mecanismos e estruturas da vida social e, nomeadamente, por aqueles que verificavam a interveno efetiva e eficaz das representaes e smbolos nas praticas coletivas, bem como na sua direo e orientao. Na Antropologia com Malinowski: Reconhece em cada corpus de mitos, o equivalente a um verdadeiro mapa social que representa e legitima eficazmente a formao existente, com o seu sistema de distribuio do poder, dos privilgios, do prestigio e da propriedade.

Os guardies do imaginrio sos simultaneamente guardies do sagrado. Plato e Aristteles: cada um a sua maneira, partem da experincia adquirida na polis ateniense, de um universo de debates, de invenes de atitude provocadas pelo poder do verbo e pela sua capacidade de influenciar as decises e praticas coletiva.

Com o advento da democracia, a assemblia deixa de ser um lugar onde se exercem os ritos e onde so reproduzidos os mitos, para se tornar num lugar de deliberao e confronto de rivais que visam tanto o poder efetivo como o controle dos smbolos.

Plato: O mito apesar de ilusrio assegura a coeso social ao legitimar s hierarquias sociais. Aristteles: As tcnicas de argumentao e persuaso retrica realando a influncia exercida pelo discurso sobre as almas e nomeadamente sobre a imaginao e os juzos de valor.

Maquiavel : Inspira-se na tradio antiga: Governar fazer crer pe em destaque a relaes intimas entre o poder e o imaginrio, ao mesmo tempo em que resume uma atitude tcnica instrumental perante as crenas e o seu simbolismo em especial perante a religio. O Prncipe rodeando-se dos sinais do seu prprio prestigio, manipula habilmente toda espcie de iluses ao seu favor e da manuteno do poder constitudo. O iluminismo: Quando as antigas legitimidades foram postas em causa e dessacralizadas, o pensamento poltico e social interrogava-se acerca do problema mais geral do papel do imaginrio na vida coletiva.

A atitude tcnica instrumental prolonga-se atravs de teorias que concebem imaginrio como um artifcio arbitrariamente fabricado e manipulvel at o infinito, da colocar o imaginrio ao servio da razo manipuladora.

Rousseau : Procede a uma reflexo sistemtica sobre a linguagem dos signos , que falariam mostrando e que teriam deste modo, uma influencia muito especial sobre a imaginao. Ora prprio desta ltima transportar o homem para fora de si prprio. Nenhuma relao social e, por maioria de razo, nenhuma instituio poltica so possveis sem que o homem prolongue a sua existncia atravs das imagens que tem de si prprio e de outrem. Para Rousseau o principio que leva um homem a agir so suas paixes e os seus desejos.

A imaginao a faculdade especifica em cujo lume as paixes se acendem, sendo a ela precisamente que se dirige a linguagem enrgica dos smbolos e dos emblemas. Rousseau esboa uma teoria da utilizao desta linguagem no mbito de um sistema de educao pblica cuja pedra angular constituda pelos ritos e pelas festas cvicas. Revoluo Francesa: Durante a Revoluo Francesa, o combate pelo domnio simblico traduziu-se entre outros fatos, pela batalha encarniada contra os smbolos do antigo regime. H um ensaio de Mirabeau que inaugura de forma bastante inusitada uma teorizao sobre o imaginrio poltico, Segundo ele o novo poder se apodere da imaginao.

Assim, o poder deve apoderar-se do controle dos meios que formam e guiam a imaginao coletiva, a fim de impregnar as mentalidades com novos valores e fortalecer a sua legitimidade, o poder tem designadamente de institucionalizar um simbolismo e um ritual novos.

As experincias revolucionrias encontram os seus prolongamentos, por um lado, nas tcnicas da propaganda napolenica e, por outro, nas reflexes dos idelogos, que se propem explorar sistematicamente o universo simblico e por em evidencia as leis que o regem.

A reformulao da problemtica impunha-se sob o impacto dos fatos revolucionrios e da mitologia coletiva que aqueles haviam produzido, bem como da evidencia da luta entre as classes sociais, cuja presena se faz sentir nos grandes enfrentamentos polticos, e ainda sob o impacto da produo acelerada de ideologias que caracteriza o perodo em questo. O liberalismo, democracia, socialismo etc. O prprio termo ideologia, de origem recentssima, adquire o seu sentido contemporneo em torno de Os debates ideolgicos, incidindo designadamente sobre a legitimidade da ordem social estabelecida, qual se opem outras ordens possveis e imaginveis, pem destaque s relaes to intimas quanto complexas que ligam os imaginrios aos interesses e reivindicaes de grupos sociais antagonistas.

Saint-simonismo, o fourierismo, o prouhonismo, os socialistas utpicos levantam o problema das relaes entre a apario de uma nova classe e a produo de imaginrios coletivos. Os novos sonhos sociais so considerados, por uns, como outras tantas antecipaes do futuro, inscritas numa evoluo histrica inexorvel, e por outros, em contrapartida, como quimeras particularmente perigosas para a ordem social devido sua incontestvel fora de seduo.

Tanto uma como a outra, no entanto valorizam o imaginrio sobre as praticas coletivas. Os romantismos, na esteira da obra de Kant, exaltam o poder criador da imaginao e, a partir da, a autonomia do universo dos signos e smbolos que ela produz. Para alguns deles, a criao imaginaria s encontra um terreno de exerccio privilegiado na poesia e nas belas-artes; para outros, porm, ela impregna com a sua atividade toda a vida coletiva e, em especial, a poltica.

Assim a historiografia romntica explora as imagens coletivas do passado, interroga-se acerca das suas origens e funes, procurando faz-las reviver como parte integrante da sociedade medieval. Numa perspectiva metodolgica completamente diferente, que se demarca dos romantismos, Topcqueville mostra como a queda do Antigo Regime, foi preparada pela elaborao de uma utopia coletiva: a viso de uma sociedade imaginaria onde tudo parece simples, coordenado e eqitativo.

Por outro lado tocqueville interroga-se sobre as conseqncias do nivelamento da imaginao que inevitavelmente implicariam as relaes sociais e morais prprias democracia igualitria.

Lembremos, finalmente que os grandes sistemas filosficos marcados por um certo historicismo procuram integrar o imaginrio nas suas snteses especulativas sobre a histria. A filosofia hegeliana esfora-se por demonstrar essa sucesso necessria de falsa conscincia atravs da qual se realizaria a marcha da razo ao longo da histria.

No sistema de representaes produzido por cada poca e no qual esta encontra a sua unidade, o verdadeiro e o ilusrio no esto isolados um do outro, mas pelo contrario unidos num todo, por meio de um complexo jogo dialtico. Tambm na segunda metade do sculo XIX as tendncias positivistas e cientificas como a psicologia, sociologia e antropologia abordam cientificamente o imaginrio como epifenmeno do real e op-lo rigorosamente aos conhecimentos e ao saber.

O evolucionismo impregnado de eurocentrismo incitava a situar as pocas e os povos onde tais confuses sobrelevam os conhecimentos positivos, nos estgios menos civilizados da evoluo humana. A obra de Marx marca um dos momentos mais significativos no estudo dos imaginrios sociais.

A contribuio de Marx resume-se sumariamente exposta, a dois pontos: a elaborao de um esquema global de interpretao dos imaginrios sociais a partir da anlise das ideologias; o estudo dos casos concreto que, embora aplicando aquele esquema, o tornam mais matizado e malevel.

Para Marx a ideologia engloba as representaes que uma classe social d de si prpria, das suas relaes com as classes antagnicas e da estrutura global da sociedade. A luta de classes passa necessariamente pelo campo ideolgico. Em cada formao social, as representaes ideolgicas da classe dominante constituem tambm a ideologia dominante, no sentido em que esta veiculada e imposta por instituies tais como o Estado e a Igreja, o ensino etc.

A classe dominada s pode opor-se classe dominante produzindo a sua prpria ideologia, elemento indispensvel da sua tomada de conscincia. A ideologia assume assim uma dupla funo: por um lado, exprime e traduz a situao e os interesses de uma classe, mas, por outro lado, isso s pode fazerse deformando e ocultando as relaes reais entre as classes e, normalmente, as relaes de produo, que constituem precisamente o objeto da luta de classes.

Fator real dos conflitos sociais, a ideologia no opera seno atravs do irreal, que so as representaes que ela faz intervir.

Como a burguesia atravs da ideologia legitima a sua pratica social. Ler pg esta grifado. O autor critica o Marxismo ao que se refere ao estado socialista que segundo ele uma utopia. A trilogia clssica sobre os imaginrios sociais Marx sublinha as origens dos imaginrios sociais designadamente as ideologias, bem como as funes que desempenham nos grandes conflitos sociais.

Durkheim pe em relevo a correlao entre as estruturas sociais e os sistemas de representaes coletivas, ao examinar o modo como estas fornecem uma instancia que assegura o consenso seno a coeso social. A fim de que uma sociedade exista e se mantenha, assegurando um mnimo de coeso, preciso que os agentes sociais acreditem na superioridade do fato social sobre o fato individual, que se dotem de uma conscincia coletiva, isto , um fundo de crenas comuns que exprima o sentimento da existncia da coletividade.

Max Weber coloca o problema das funes que competem ao imaginrio na produo do sentido que os atores sociais atribuem necessariamente s suas aes. A estrutura inteligvel de toda a atividade humana provm do fato de os agentes sociais visarem um sentido na sua conduta, regulando os seus comportamentos recprocos em funo desses. O Social produz-se atravs de uma rede de sentidos, de marcos de referencia simblicos por meio dos quais os homens comunicam se dotam e uma identidade coletiva e se designam as suas relaes com as instituies polticas, etc.

A vida social produtora de valores e normas e, ao mesmo tempo, de sistemas de representaes que as fixam e traduzem. Por outras palavras, as relaes sociais nunca se reduzem aos seus componentes fsicos e materiais. Do mesmo modo, as relaes polticas, enquanto dominao dos homens por outros homens, no se reduzem a simples relaes de fora e de poderio.

Os trs tipos de dominao poltica enunciados por Weber, a saber, a dominao tradicional, a carismtica e a burocrtica, exerce-se atravs de diferentes sistemas de representaes coletivas nos quais se fundamenta a legitimidade dos respectivos poderes. Sobre os Annales ler pg Manifesto do Surrealismo.

O objetivo deste trabalho uma reflexo sobre a leitura de Bronislaw Baczko no universo de minhas indagaes a respeito da escrita da histria ou em outras palavras sobre as tendncias da historiografia contempornea na construo do saber histrico.

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SSeminário: Bronilslaw Baczko – Imaginação Socialeminário Maria Odila

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