POEMAS COMPLETOS DE ALBERTO CAEIRO PDF

English poems II Em , dirigiu a revista Athena com Ruy Vaz. Em novembro do mesmo ano, nasceu a primeira filha do casal, Henriqueta Madalena. Em , nasceu Madalena Henriqueta. Em junho todos regressaram para Durban, exceto ele, que voltou sozinho em setembro. No mesmo ano, foi matriculado na Commercial School.

Author:Mikashakar Daizuru
Country:Central African Republic
Language:English (Spanish)
Genre:Politics
Published (Last):16 August 2019
Pages:437
PDF File Size:4.82 Mb
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ISBN:539-1-60019-294-4
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A melodia dos versos brota da espontaneidade, da aparente despreocupao estti- ca ou artstica. A dcima estrofe manifesta claramen- te o paganismo de Caeiro, que s consegue conceber a existncia de Deus a partir do sentido da viso, ou seja, de uma realidade palpvel, material, concreta. Para Caeiro, a realidade est nos sentidos, principal- mente na viso, sendo descabido acreditar na exis- tncia de uma coisa apenas em pensamento. Para ele, s real o que pode ser sentido.

O pantesmo fica evidente na dcima segunda es- trofe, pois Caeiro afirma acreditar em Deus apenas se ele se manifesta atravs da natureza, um deus como manifestao por meio das flores, das rvores, dos montes, do sol e do luar. A ironia est presente na dcima terceira estrofe, porque Caeiro interroga que motivo teria para cha- mar Deus de Deus se pode cham-lo de flores, rvo- res e montes.

O paganismo de Caeiro , na verdade, uma negao do cristianismo e no a f na volta da antiga crena. Pensar em Deus desobedecer a Deus, Porque Deus quis que o no conhecssemos, Por isso se nos no mostrou Sejamos simples e calmos, Como os regatos e as rvores, E Deus amar-nos- fazendo de ns Belos como as rvores e os regatos, E dar-nos- verdor na sua Primavera, E um rio aonde ir ter quando acabemos!

O guardador de rebanhos. Comentrio: O poema VI traduz, ainda uma vez, a viso da integrao do homem com os elementos simples da natureza como aproximao com o ele- mento divino. Est presente no poema a idia pag e pantesta da divindade que emana da natureza. VII Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do [Universo Por isso a minha aldeia to grande como outra terra [qualquer, Porque eu sou do tamanho do que vejo E no do tamanho da minha altura Nas cidades a vida mais pequena Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista chave, Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para [longe de todo o cu, Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos [olhos podem dar, E tornam-nos pobres porque a nossa nica riqueza ver. Comentrio: O poema VII pode ser lido como um complemento ao poema III, pois explica o fato de Caei- ro sentir d de Cesrio Verde, que s podia ver atravs da cidade e nestas a vida mais pequena.

Assim, apro- veitando-se o verso Porque eu sou do tamanho do que vejo, conclui-se que Cesrio ficava tambm pe- queno e pobre, bem menor do que poderia ser. VIII Tive um sonho como uma fotografia.

Vi Jesus Cristo descer terra. Veio pela encosta de um monte Tornado outra vez menino, A correr e a rolar-se pela erva E a arrancar flores para as deitar fora E a rir de modo a ouvir-se longe. Tinha fugido do cu. Era nosso demais para fingir De segunda pessoa da Trindade. No cu tudo era falso, tudo em desacordo Com flores e rvores e pedras.

No cu tinha que estar sempre srio E de vez em quando de se tornar outra vez homem E subir para a cruz, e estar sempre a morrer Com uma coroa toda roda de espinhos E os ps espetados por um prego com cabea, E at com um trapo roda da cintura Como os pretos nas ilustraes. Nem sequer o deixavam ter pai e me Como as outras crianas. O seu pai era duas pessoas Um velho chamado Jos, que era carpinteiro, E que no era pai dele; E o outro pai era uma pomba estpida, A nica pomba feia do mundo Porque nem era do mundo nem era pomba.

E a sua me no tinha amado antes de o ter. No era mulher: era uma mala Em que ele tinha vindo do cu. E queriam que ele, que s nascera da me, E que nunca tivera pai para amar com respeito, Pregasse a bondade e a justia!

Um dia que Deus estava a dormir E o Esprito Santo andava a voar, Ele foi caixa dos milagres e roubou trs. Com o primeiro fez com que ningum soubesse que [ele tinha fugido.

Com o segundo criou-se eternamente humano e menino. Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz E deixou-o pregado na cruz que h no cu E serve de modelo s outras. Depois fugiu para o sol E desceu no primeiro raio que apanhou.

Hoje vive na minha aldeia comigo. Limpa o nariz ao brao direito, Chapinha nas poas de gua, Colhe as flores e gosta delas e esquece-as. Atira pedras aos burros, Rouba a fruta dos pomares E foge a chorar e a gritar dos ces.

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